Associação de Empresas Proprietárias de Infraestrutura e de Sistemas Privados de Telecomunicações

ASSOCIAÇÃO DE EMPRESAS PROPRIETÁRIAS
DE INFRAESTRUTURA E DE SISTEMAS PRIVADOS
DE TELECOMUNICAÇÕES

Cristiano Henrique Ferraz

Entrevista com Cristiano Henrique Ferraz

Nome: Cristiano Ferraz

Formação: Engenheiro de Telecomunicações
Empresa: Netcon
Função: Diretor de Tecnologia
Atividades: Analista de tendências tecnológicas e do negócio de Telecomunicações.
Trazer essas tendências para o contexto da empresa.
Adquirir habilidades necessárias para atuar eficazmente no mercado.
 

APTEL: Em termos gerais qual sua visão sobre a APTEL?
Cristiano: Eu entendo que a APTEL é uma agremiação na qual todas as empresas que possuem redes próprias de telecomunicações podem recorrer à essa Associação para compartilhar os seus próprios conhecimentos e, obter conhecimentos sobre tecnologia e mercado de telecomunicações.
Basicamente a visão é essa: A APTEL pode servir como uma ponte entre o conhecimento de mercado, o conhecimento da tecnologia e o campo de atuação das empresas associadas.

APTEL: Quais os benefícios de ser um associado da APTEL?
Cristiano: Em primeiro lugar obter dados sobre as outras empresas congêneres do setor e sobre o mercado como um todo e adquirir conhecimento com os tomadores de decisão dessas outras empresas. Fazer uma espécie de “networking” para a troca de informações para dinamizar o processo comercial e o processo de negócios dos associados.

APTEL: Cite um ponto forte do setor de Telecomunicações.
Cristiano: O setor de telecomunicações é um setor básico da infraestrutura de um país. É uma das molas mestras que sustentam o desenvolvimento nacional. O sistema de telecomunicações admite atores de vários tipos. Alguns atores são dos setores privados de pequeno, médio e de grande porte. Temos ainda fabricantes internacionais que vêm com soluções tecnológicas novas, que permitem a prestação dos serviços a custos cada vez mais baixos, instituições de ensino e de divulgação de conhecimentos.
Assim, o intercâmbio de informações comerciais, de tecnologia e de produtos desse mercado, quando flui de uma forma transparente e eficiente, entre esses atores, impulsiona cada vez mais o setor de telecomunicações.
Esse setor está em franco desenvolvimento e o potencial de crescimento dele ainda é muito grande. Estamos vendo a obsolescência de algumas tecnologias e surgimento de outras novas que fazem reformular a maneira de fazer negócio, de prestar serviço e de até financiar a sua própria operação dentro do setor.
Para que essas mudanças sejam efetivadas são necessárias muitas informações para que os tomadores de decisão estejam cientes das suas possibilidades e possam gerenciar seus setores com conhecimento de causa.

APTEL: Cite um ponto fraco do setor de Telecomunicações.
Cristiano: O setor de telecomunicações sofre, por exemplo, com uma utilização ainda insuficiente dos meios de transmissão que existem nas empresas de utilities. O ambiente regulatório ainda não é favorável à utilização de uma boa parte da infraestrutura que é instalada no país.
Eu cito um exemplo: Os cabos de OPGW, que são os cabos para-raios que correm ao longo das linhas de transmissão e cuja a instalação é obrigatória desde 1999. Esses recursos ainda não estão sendo exploradas em sua totalidade, devido a forma como a regulação, até certo ponto, desestimula a comercialização desses cabos.
De modo geral, os serviços concessionados de infraestrutura, poderiam prestar um suporte muito maior ao setor de telecomunicações, compartilhando meios de transmissão que são inerentes à esses sistemas.
Um outro ponto fraco do setor de telecomunicações é a excessiva proteção dos meios de transmissão, por exemplo das redes de acesso. Dessa forma há pouco compartilhamento. Na verdade é uma questão do foco no negócio que cada empresa adota.
Se uma empresa se vê como uma empresa vertical de telecomunicações, ou seja, provendo desde serviços de conteúdo até os serviços de acesso, ela provavelmente estrutura seus custos, embutindo os custos da rede de acesso no preço dos serviços de conteúdo que está colocando, e com isso, ela deixa de abrir a rede de acesso a outros operadores que poderiam estar vendendo o conteúdo através da rede deles, a um preço mais barato.
Uma empresa com esta política está deixando também de potencializar o rendimento que poderia ter com a rede de acesso. Modelos adotados em outros países, como por exemplo o Reino Unido, onde a rede de acesso foi desagregada das redes de conteúdo de serviços e das redes de transportes, permitiram formar uma empresa de acesso.

APTEL: Como a APTEL pode auxiliar a sua empresa? Há algum exemplo real a ser citado?
Cristiano: Todos os encontros da APTEL são importantes para o intercâmbio de informações. Os seminários que são dados durante esses encontros e a exibição, a feira, onde se exibem os produtos, são muito importantes para aproximar os produtores de soluções e aqueles que têm a capacidade de consumir isso.
Além disso, a APTEL pode promover outros tipos de atividades como por exemplo o “Web Nars” periódicos para divulgação de conhecimento técnico para os associados. Às vezes, os associados, no afã de continuar fazendo aquilo que estão fazendo até o momento, não tomam todo o conhecimento que deveriam ter das opções tecnológicas e opções de reformulação do negócio que poderiam ter.
Eu vejo a APTEL através de fóruns de discussão específicos, através de “Web Nars” de tecnologia ou através de minicursos ou cursos que possam preencher essa lacuna, para aumentar o conhecimento do setor de telecomunicações sobre as possibilidades que fariam crescer o seu negócio.

APTEL: Qual a sua impressão sobre último Seminário Nacional de Telecomunicações da APTEL - SNT 2017?
Cristiano: Esse Seminário foi e é importante para o setor. Por isso, nós procuramos sempre como empresa, participar. Encontramos as outras pessoas que fazem parte não só da APTEL mas também do setor de telecomunicações, ouvimos pessoas com as quais temos pouco contato, ouvimos também o setor governamental e o setor regulatório e trocamos ideias, principalmente no networking que a gente faz nos intervalos. É muito importante a participação de todos os associados nesse tipo de atividade.

APTEL: O que o Senhor acha dos prazos de licenciamento que são atualmente implementados pelos Órgãos Reguladores de telecomunicações?
Cristiano: Na minha opinião, existe uma intenção dos órgãos reguladores em diminuir esses prazos e de facilitar o processo de licenciamento. Agora, naturalmente, a burocracia ainda é bastante grande. Eu acho que ainda pode ser feito bastante progresso nesse sentido para agilizar o licenciamento.

APTEL: O Senhor acha importante treinamentos na área de Marco Regulatório de Telecomunicações tanto para empresas e para fornecedores de sistemas, para que eles entendam todos os mecanismos de regulamentação junto aos Órgãos Reguladores?
Cristiano: Esse tipo de suporte é importante, sim. Tanto o suporte por empresas que detenham esse conhecimento quanto os cursos. Eu acredito que as grandes empresas do nosso setor, possuem departamentos que cuidam dessa parte de regulação. Como isso consome muito tempo, e como existe flutuação de pessoal, é necessário uma formação constante nesse sentido.
Complementando, no caso de cursos, eles são necessários porque todos que trabalham com regulação precisam de uma atualização constante. Tanto a atualização técnica quanto a atualização sobre ambiente normativo e regulatório. Mas os cursos teriam que ser focados nos problemas específicos de cada setor das telecomunicações, porque existe uma abrangência muito grande no ambiente regulatório e a especialização é necessária. Então, um curso como esse teria que ser customizado para as necessidades das empresas em particular que fossem tomar esses cursos. É difícil imaginar um curso que fosse totalmente abrangente, a não ser que a gente tenha muito tempo para dar esse curso.

APTEL: Há alguma sugestão de melhoria para o mercado de telecomunicações? O que a APTEL poderia fazer para implementar essa melhoria?
Cristiano: Melhoria para o setor de telecomunicações é um papel que a APTEL e o instituto APTEL poderiam desenvolver. Eu acho que a APTEL é focada realmente nessa troca de conhecimentos. O Instituto APTEL em particular, tem a função de preservar e fomentar essa troca de conhecimento. Então eu acho que o Instituto APTEL poderia trazer os especialistas em setores, em tecnologias e em soluções tecnológicas e em estruturação de negócios de telecomunicações para compartilhar os seus conhecimentos com os associados.
Cursos ou seminários não sobre temas isolados curtos, mas temas que permitissem um aprofundamento do conhecimento em determinado setor. Tentando colocar isso em perspectiva, falando ainda sobre a questão de licenciamento e regulação, na parte de licenciamento de estações de rádio, existe um conhecimento técnico que é necessário sobre como fazer as medições e é preciso treinar as pessoas que irão fazer essas medições.
Entretanto, além de ter conhecimento técnico, ela precisa também conhecer as necessidades específicas regulatórias para cada tipo de tecnologia de estação de rádio que está sendo licenciada. Então, essa é uma posição que o Instituto APTEL se encaixa bem.
Conseguir os especialistas tanto no processo de licenciamento quanto no processo da elaboração dos laudos, dos cálculos e na verificação de conformidade daquilo que se instalou com as normas reais, fazendo medições práticas.

Entrevista com Cristiano Henrique Ferraz  Entrevista por: Jacqueline Nunes