Associação de Empresas Proprietárias de Infraestrutura e de Sistemas Privados de Telecomunicações

ASSOCIAÇÃO DE EMPRESAS PROPRIETÁRIAS
DE INFRAESTRUTURA E DE SISTEMAS PRIVADOS
DE TELECOMUNICAÇÕES

Marcos Alberto Albagli

Entrevista com Marcos Alberto Albagli

Nome: Marcos Alberto Albagli

Formação: Eng. Eletrônico (Escola Nacional de Engenharia), Engenheiro de Telecomunicações (Universidade Gama Filho), Mestre em Ciências de Telecomunicações (Bnneville University)
Função: Consultor
Atividades: Consultoria em Telecomunicações.
 

APTEL: Em termos gerais qual sua visão sobre a APTEL?
Albagli: A APTEL é uma associação bastante diferente das outras, porque seu objetivo é congregar os usuários de meios de telecomunicações não públicos. Em outras palavras, são todos aqueles detentores de ativos de telecomunicações, que não prestam serviços públicos, aplicando suas infraestruturas para uso privado.
É uma associação que se diferencia das demais porque ela pode desenvolver mecanismos de melhorias dos meios de telecomunicações de forma bastante integrada e unificada.

APTEL: Quais os benefícios de ser um associado da APTEL?
Albagli: Eu fui diretor da APTEL durante 13 anos, e posso dizer com bastante tranquilidade que ser associado da APTEL é uma maneira de unir forças, juntar esforços, para que os meios de telecomunicações que a sua empresa possui sejam melhorados e implementados com as experiências de outros associados, que têm os mesmos problemas e dificuldades que você tem.
Quero dizer que: se você possui equipamentos, meios de telecomunicações para uso próprio e enfrenta dificuldades e quer desenvolver esses meios de telecomunicações, você pode se unir à APTEL.
Com certeza irá usufruir de benefícios, pois os associados da APTEL que já enfrentaram as mesmas dificuldades que você, podem facilitar, apoiar e solucionar as suas dificuldades.

APTEL: Cite um ponto forte do setor de Telecomunicações.
Albagli: Eu diria que o ponto forte do setor de telecomunicações é a capacidade de trafegar dados, que hoje em dia basicamente são digitais e, são informações de missão crítica, necessárias de forma imediata.
Outro ponto forte do setor de telecomunicações é a regulamentação do setor. Como o espectro é um recurso finito, o setor de telecomunicações é extremamente regulado e tem que ser. Por ser regulado, é uma atividade bastante desenvolvida, com base nos regulamentos, leis, e resoluções, extremamente definidas.

APTEL: Cite um ponto fraco do setor de Telecomunicações.
Albagli: Por incrível que pareça, um dos pontos fracos do setor de telecomunicações é a extrema regulamentação. O que é um ponto forte também é um ponto fraco. Porque ao mesmo tempo que você tem o setor regulado, seguindo regras definidas, essas mesmas regras são extremamente fortes e justas e às vezes até irreais e, você deve estar sempre atento à essas regras e a regulamentação.

APTEL: Como a APTEL pode auxiliar a sua empresa? Há algum exemplo real a ser citado?
Albagli: Eu diria o seguinte: nunca uma área tecnológica se desenvolveu tão rápida como telecomunicações. Se você olhar para os últimos 40 anos vai perceber essa rapidez. Alguém formado há 40 anos por exemplo, hoje não conseguiria acompanhar a evolução tecnológica, estaria perdido dentro das novas tecnologias existentes.
A única coisa que não variou muito foram as regras e os regulamentos que acompanharam a evolução tecnológica, mas sempre foram regulamentos rígidos, que devem ser seguidos justamente por problema de limitação do espectro.
Eu diria que a APTEL, como acompanha e está sempre tentando seguir o up to date da tecnologia e da regulamentação, consegue conjuminar dois pontos: acompanhar a melhor tecnologia e acompanhar sempre a última versão dos regulamentos existentes que podem, tranquilamente, auxiliar aqueles que participam da APTEL nas suas dúvidas, nos seus questionamentos e na limitação, evidentemente que têm ao acompanhar a tecnologia e os regulamentos.

APTEL: Qual a sua impressão sobre último Seminário Nacional de Telecomunicações da APTEL - SNT 2017?
Albagli: Eu acompanho os SNTs e acho que eu participei de quase todos. Isso há 16 anos. Houve grandes seminários e houve seminários mais restritos. Isso foi devido a problemas econômicos da associação, algumas vezes problemas que afetaram as empresas como um todo. Mas eu vejo que sempre há uma evolução das duas vertentes, a evolução tecnológica e a evolução de regulamentação.
O último seminário foi muito interessante. Bom na parte de telecomunicação e ótimo na parte tecnológica. A gente viu grandes avanços de tecnologia nas palestras apresentadas tanto pelos estudantes de mestrado e doutorado da PUC, da UFRJ, da UFF, como também, para a nossa surpresa, os profissionais das empresas, que trouxeram soluções fantásticas para problemas que são comuns entre as empresas que possuem sistemas de telecomunicações próprios. O último SNT foi uma grande e agradável surpresa.

APTEL: O que o Senhor (a) acha dos prazos de licenciamento que são atualmente implementados pelos Órgãos Reguladores de telecomunicações?
Albagli: Sem querer ferir suscetibilidades, os prazos foram muito piores. Eu me lembro que era uma loteria conseguir uma licença. Há 5 ou 6 anos atrás era muito complicado. Mas eu sinto que os órgãos de regulamentação, a Anatel, o atual Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, eles estão tentando evoluir.
Claro que existem limitações, eles têm problemas também. Mas se você estrutura na sua empresa um Marco Regulatório, um sistema de acompanhamento das suas licenças e com esse acompanhamento você consegue se conectar ou se comunicar bem com a Anatel e com o Ministério, as coisas andam muito bem, sem problemas. Eu diria que melhoraram muito.

APTEL: O Senhor (a) acha importante treinamentos na área de Marco Regulatório de Telecomunicações tanto para empresas e para fornecedores de sistemas, para que eles entendam todos os mecanismos de regulamentação junto aos Órgãos Reguladores?
Albagli: Sem dúvida. O treinamento em Marco Regulatório é uma coisa importantíssima. Eu vim de uma empresa que é a Petrobras, e que nós chegamos a ter 37 mil licenças de equipamentos de telecomunicações, rádios analógicos, rádios digitais, fibras ópticas, satélites e as mais diversas tecnologias.
Se nós não tivéssemos feito uma conscientização, isso é mais importante às vezes, do que o treinamento, não só de usuários mas dos nossos técnicos, engenheiros em Marco Regulatório, em regulamentação, seria muito difícil gerenciar e obter e manter os licenciamentos de 37 mil equipamentos.
Creio que hoje na Petrobras, esse número de licenças esteja mais reduzido. Alguma coisa em torno de 35 a 33 mil licenças. Mas mesmo assim, para uma empresa é uma quantidade enorme de licenças. Elas têm que ser renovadas, acompanhadas e modificadas. Novas licenças têm que ser obtidas e acompanhadas. Então, o treinamento e o desenvolvimento dentro da área de regulamentação, é 50% da atividade de uma empresa que tem equipamentos de telecomunicações para uso próprio.

APTEL: Há alguma sugestão de melhoria para o mercado de telecomunicações? O que a APTEL poderia fazer para implementar essa melhoria?
Albagli: Melhorias no mercado de telecomunicações é muito difícil da gente falar porque depende muito do próprio mercado e das tecnologias. Se surge uma tecnologia nova, um novo sistema de telecomunicações, por exemplo: fala-se muito em sistemas satelitais de baixa órbita, que tem uma grande vantagem comparada à satélites convencionais. Isso é uma nova tecnologia. Ao invés dos satélites estarem entre 36.000 quilômetros em órbita estacionária fixa, são sistemas de satélites de uma órbita mais baixa, bem mais baixa, em torno de 16.000 quilômetros, que ficam circulando em torno da terra.
São vários satélites e as antenas vão acompanhando a posição dos satélites. Quando um sai do azimute (sai da visão), outro entra e a antena continua acompanhando. Esse sistema tem uma vantagem: a latência total da comunicação é muito mais baixa. Enquanto que uma latência no sistema de órbita fixa é na ordem de 500 a 450 milisegundos, em um sistema de baixa órbita ela não chega a 100 milisegundos. Tanto é que se diz que num sistema de baixa órbita é a “fiber sky” (fibra no espaço).
Não chega a tanto porque a latência de uma fibra óptica é praticamente zero e você ainda tem alguma latência. Mas são aproximadamente um quinto, vamos dizer, da latência de um satélite. Isso é uma nova tecnologia. Tem uma grande vantagem porque o sistema é muito mais barato que uma fibra óptica e muito mais barato que um sistema convencional de satélite. Mas ainda estão acontecendo.
Então, mudanças dessa ordem, tecnológicas, trazem uma mudança mercadológica. O que vai acontecer? Nós temos que acompanhar essas mudanças. Empresas que usam telecomunicações para o seu uso próprio e que não estão envolvidas no acompanhamento da tecnologia, só podem usufruir dela se tiverem algum suporte por trás.
Quem pode oferecer suporte? A APTEL, por exemplo. Ela pode se envolver em novas tecnologias como já se envolveu em outras grandes tecnologias como foi o OPGW, o sistema de fibra óptica. Aliás, a APTEL nasceu por conta das fibras ópticas, para gerenciar e acompanhar a utilização delas em empresas que as estavam lançando. Eram empresas elétricas, a Petrobras e algumas empresas de transportes de gás. 
Então, essas tecnologias é que dão o direcionamento tecnológico e mercadológico. O que vai acontecer no futuro? Eu não sei. Outras tecnologias irão aparecer. Os laboratórios já estão desenvolvendo equipamentos que usando as fibras ópticas antigas, conseguem multiplicar por 100, a capacidade das fibras. Não se fala mais em 10 Giga, 100 Giga, agora se fala em Tera Bites, em Hepta Bites, quer dizer, os equipamentos evoluem e nós temos que acompanhar essa tecnologia.
Você é possuidor de uma empresa que tem uma fibra óptica, você está usando essa fibra para transportar 1 Giga, quem sabe essa fibra óptica daqui a pouco não está transportando Tera Bites e não mais Giga Bites? Tudo depende da tecnologia, de como você vai utilizar a sua fibra. Então, é isso que eu posso dizer sobre avanço tecnológico em telecomunicações, basta olhar os últimos 10 anos, onde tivemos um avanço tecnológico tremendo.
As centrais telefônicas PABX praticamente acabaram porque existe o VOIP (voice over IP). O que você tinha de várias centrais, hoje você tem uma central só. Antigamente a gente falava em megabites, era algo fantástico! Hoje gigabites já virou o dia a dia, trivial. Já se fala em terabites, em heptabites. Onde é que isso vai parar? Nós temos que ter uma entidade capaz de acompanhar essa evolução tecnológica e de fornecer informações adequadas e de dar o drive dessas tecnologias para os usuários, no caso, os usuários são aquelas empresas que não são de telecomunicações, mas que têm telecomunicações como base, no seu uso no dia a dia. Exemplo: Petrobras e as empresas elétricas.
Você imagina algum empregado ou colaborador da Petrobras sem um rádio portátil? Telecomunicações na Petrobras é missão crítica. Nós usamos as telecomunicações não só da comunicação do falar mas sim do comando. Como disse, da missão crítica, da produção de petróleo no dia a dia, por exemplo.


Entrevista com Marcos Alberto Albagli 
Entrevista por: Jacqueline Nunes