Associação de Empresas Proprietárias de Infraestrutura e de Sistemas Privados de Telecomunicações

ASSOCIAÇÃO DE EMPRESAS PROPRIETÁRIAS
DE INFRAESTRUTURA E DE SISTEMAS PRIVADOS
DE TELECOMUNICAÇÕES

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Pedro Luiz de Oliveira Jatobá

Superintendente Internacional da Eletrobras

Entrevista com Pedro Jatobá

Nome: Pedro Jatobá

Formação: Eng. Eletricista Especialização em Telecomunicações
Empresa: Eletrobras
Função: Superintendente Internacional da Eletrobras
Atividades: Coordenação de Investimentos Internacionais do Grupo Eletrobras e Representação em Fóruns e Entidades Internacionais
 

APTEL: Em termos gerais qual sua visão sobre a APTEL?
Jatobá: Eu considero a APTEL uma entidade extremamente importante para as empresas do setor energético do Brasil, por apoiar uma visão de futuro dessas empresas nos cenários de aplicação das tecnologias de informação em telecomunicações, para o suporte da estrutura dessas empresas.
Jatobá cita como exemplo desse importante papel, o momento em que a APTEL esteve à frente de todo o processo de utilização de fibras ópticas das empresas de energia elétrica. Posteriormente, isso ocorreu nas empresas de óleo e gás, como na Petrobras. A APTEL vem suportando inclusive o desenvolvimento de modelo de negócio dessas empresas, utilizando essas infraestruturas de suporte ao seu serviço interno.

APTEL: Quais os benefícios de ser um associado da APTEL?
Jatobá: Um dos grandes benefícios é ter acesso às tendências mundiais em termos da evolução das tecnologias de informação e telecomunicações, as chamadas TICs, além de adquirir uma visão global do mercado de telecomunicações, no que isso se relacionar com o negócio final da empresa.
A APTEL é um espaço também de interlocução transversal entre os diversos seguimentos de infraestrutura, uma vez que, o uso dessas tecnologias de telecomunicações, permeia todos esses seguimentos.
Então, ser um espaço de interlocução entre esses diversos seguimentos é um papel que a APTEL possui, sendo a única associação que atua nessa disciplina.

APTEL: Cite um ponto forte do setor de Telecomunicações.
Jatobá: O setor de telecomunicações tem sido o setor mais dinâmico na questão da sua migração tecnológica. É o setor que mais rapidamente incorpora essas tecnologias e as oferece aos demais setores da sociedade, na forma de serviços.
Um bom exemplo, no nosso caso, é que todas as empresas do setor elétrico têm os seus próprios sistemas privados de telecomunicações e utilizam exatamente aquelas tecnologias em prol desses seguimentos, o que é a base da existência da APTEL.

APTEL: Cite um ponto fraco do setor de Telecomunicações.
Jatobá: O ponto fraco do setor de telecomunicações talvez seja o seu relacionamento com o público, porque não se consegue projetar uma imagem correta da sua importância dentro da estrutura nacional.
Via de regra, os usuários só acessam o nome das principais operadoras por meio de matérias que muitas vezes estão ligadas a um atendimento ao público.
Acho que o setor de telecomunicações não conseguiu se organizar a ponto de demonstrar, claramente, a sua importância no desenvolvimento do país.

APTEL: Como a APTEL pode auxiliar a sua empresa? Há algum exemplo real a ser citado?
Jatobá: Eu já citei a questão do suporte à introdução de reutilização de fibras ópticas no setor elétrico. Eu poderia citar alguns estudos realizados pela APTEL, por exemplo, na introdução de tecnologia de comunicação sobre a rede elétrica, que é a tecnologia do “Power Light Communication” que terá e tem tido uma grande utilidade nos processos de automação no setor elétrico.
Eu acho que em uma visão prospectiva da evolução dessas tecnologias elas serão extremamente úteis para o mapeamento das inovações das próprias empresas concessionárias do setor elétrico brasileiro.
O setor elétrico do Brasil está em vias de sofrer uma grande transição, onde a utilização maciça dessa tecnologia será fundamental para se atingir os novos patamares pretendidos. Isso só se dará com conhecimento mais amplo da utilização dessas tecnologias e modelos de negócios que efetivamente viabilizem essa implantação. Esse é o objeto principal da APTEL. Por isso, eu acho que a APTEL poderá vir a ter um papel muito relevante nesse futuro.

APTEL: Qual a sua impressão sobre último Seminário Nacional de Telecomunicações da APTEL - SNT 2017?
Jatobá: Acho que o Seminário surpreendeu positivamente em relação aos temas e ao conteúdo que foi apresentado. Acho que os principais pontos de interesse dos associados foram corretamente apresentados e discutidos. Eu acho que serviu para ratificar a importância que a associação tem para os seus associados e para as outras empresas do setor de infraestrutura.

APTEL: O que o Senhor acha dos prazos de licenciamento que são atualmente implementados pelos Órgãos Reguladores de telecomunicações?
Jatobá: Bom, essa não é bem a minha área aqui. Eu já estou afastado há muito tempo e não lido diretamente com esse seguimento. Mas o que eu ouço sempre dos meus colegas que trabalham diretamente com desenvolvimento dos sistemas privados de telecomunicações, é que esses prazos são muitas vezes longos e o próprio processo burocrático de licenciamento muitas vezes sofre críticas.

APTEL: O Senhor acha importante treinamentos na área de Marco Regulatório de Telecomunicações tanto para empresas e para fornecedores de sistemas, para que eles entendam todos os mecanismos de regulamentação junto aos Órgãos Reguladores?
Jatobá: Acho que sim. Considero extremamente importante porque o setor de telecomunicações também está num processo de migração. A introdução de novas tecnologias de maior capacidade como o 5G que está sendo anunciado ou eventualmente outras tecnologias de transmissão, elas modificam a estrutura de regulação e, é muito importante que as empresas estejam acompanhando isso, para que possam utilizar as vantagens competitivas ou adquirir as vantagens competitivas que o uso dessas novas telecomunicações possam representar para elas.
Então para isso, manter uma equipe dedicada ao tema devidamente atualizada com relação não só a estrutura ou arcabouço regulatório mas também nas modificações que esse arcabouço está sofrendo. Eu acho que é extremamente estratégico para qualquer empresa de infraestrutura.

APTEL: Há alguma sugestão de melhoria para o mercado de telecomunicações? O que a APTEL poderia fazer para implementar essa melhoria?
Jatobá: O mercado de telecomunicações é sempre um mercado em mutação. Nós temos assistido não só a própria migração tecnológica mas também uma reestruturação dos negócios e dos atores em função dessa transformação. Hoje existe uma tendência a uma “comoditização”, ou seja uma transformação em commodities da capacidade de transmissão a longa distância, que é realmente um dos produtos que as empresas associadas à APTEL praticam no mercado.
Dessa forma, eu acho que uma estruturação, uma articulação, no sentido de tornar este mercado de transporte de informações a longa distância mais aberto, mais participativo e mais competitivo, poderia ser uma das bandeiras que a APTEL poderia adotar para o futuro.

Entrevista com Pedro Luiz de Oliveira Jatobá  Entrevista por: Jacqueline Nunes