Associação de Empresas Proprietárias de Infraestrutura e de Sistemas Privados de Telecomunicações

ASSOCIAÇÃO DE EMPRESAS PROPRIETÁRIAS
DE INFRAESTRUTURA E DE SISTEMAS PRIVADOS
DE TELECOMUNICAÇÕES

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Marcio Guilherme Veronesi Nicolay

Consultoria em Telecomunicações

Entrevista com Marcio Guilherme Veronesi Nicolay

Nome: Marcio Guilherme Veronesi Nicolay

Formação: Eng. Eletrônico
Função: Consultor
Atividades: Consultoria em Telecomunicações.
 

APTEL: Em termos gerais qual sua visão sobre a APTEL?
Veronesi: Eu conheço a APTEL há muitos anos. O mercado de telecomunicações voltado para o segmento de energia, a APTEL sempre esteve muito presente. Embora nos últimos 3 ou 4 anos, a gente tenha sentido bastante falta dos conceitos que a APTEL desenvolveu lá no início, na década de 2000, com relação aos trabalhos voltados para o mercado de telecomunicações com as utilities. Eu acho que a APTEL teve um papel importante, principalmente no final da década de 90 e início da década de 2000, quando ela conseguia, de certa forma, angariar os projetos que eram desenvolvidos. Fazia um compartilhamento dos projetos que eram desenvolvidos entre vários integrantes da associação. Mas acho que ela deixou de fazer algo que eu percebo de extrema relevância: ser uma parceira dos associados junto aos órgãos de regulamentação do governo. Principalmente a Anatel, em virtude de obter vantagens ou seguir com pleitos da indústria como um todo para a obtenção de melhorias, tanto para indústrias como para fornecedores e consumidores de uma forma geral. Eu acho que a APTEL teve, nos últimos anos, trabalhos e encontros eram muito frutíferos. Os trabalhos apresentados eram extremamente valiosos para o entendimento geral, o que contribuía demasiadamente nessa troca de informações entre os associados. Mas eu senti durante os últimos anos, uma falta de articulação com os órgãos que regulamentam os princípios de telecomunicações no Brasil.

APTEL: Quais os benefícios de ser um associado da APTEL?
Veronesi: Eu acho que o grande benefício do associado com a APTEL, eu dividiria em duas partes: primeiro a interconexão e o compartilhamento de informações entre os associados. Dos projetos, inovações, discussões sobre tendências do mercado, influência dos fornecedores, para que os consumidores (clientes finais), tenham um valor agregado para o crescimento da indústria de uma forma geral e, obviamente, uma articulação agrupada dos sócios com pleitos que beneficiem a indústria de uma forma geral.
Nós vemos hoje, alguns grupos articulando sobre interesses para a obtenção de vários benefícios junto aos órgãos federais. Eu acho que esse deveria ser um papel da APTEL, a interconexão entre os associados com compartilhamento de informação de ideias que gere crescimento dos associados. E enfim, da troca de informação tecnológica entre os associados e naturalmente uma articulação deles, uma associação que ajude eles perante aos órgãos públicos que fiscalizam e determinam as regras do sistema de telecomunicações.

APTEL: Cite um ponto forte do setor de Telecomunicações.
Veronesi: Eu acho que o setor de telecomunicações, principalmente para o ambiente industrial, ele agrega o provimento de tecnologias que possibilitem uma otimização dos processos e, claro, uma redução de custos, além de uma otimização operacional em toda cadeia da indústria.
O setor de Telecomunicações é essencial, embora muitos da indústria não conheçam os benefícios que a tecnologia de telecomunicações pode agregar no ponto de vista do negócio, mas é fundamental hoje, você ter uma cadeia de soluções de telecomunicações para que tenha uma otimização operacional forte que reduza os custos operacionais, que otimize os processos, que permita que o negócio seja mais abrangente e mais eficaz e, obviamente trazendo benefícios aos clientes finais da cadeia.

APTEL: Cite um ponto fraco do setor de Telecomunicações.
Veronesi: O ponto mais fraco é realmente a carência de uma regulamentação mais eficaz, que proporcione ao mercado, explorar de forma mais eficiente todas as tecnologias e benefícios tecnológicos que os seguimentos de telecomunicações podem prover para a indústria. Não existe hoje um acúmulo de benefícios para poucos provedores e, esses provedores, efetivamente, não conseguem dar vasão a toda necessidade da cadeia. Não existe hoje uma articulação eficaz, no meu ponto de vista, que permita que a indústria se desenvolva com o uso de novas tecnologias, gerando empregos, eficiência, melhorias e também redução de custos que irá prover uma capacidade de investimento da indústria a médio e longo prazo, caso a gente venha a ter uma regulamentação mais flexível.
Temos uma carga de impostos relativamente alta no mercado de telecomunicações, que é um mercado gerador de empregos .Eu acho que esses pontos deveriam ser revistos para que a gente pudesse ter uma eficiência maior em toda cadeia da indústria.

APTEL: Como a APTEL pode auxiliar a sua empresa? Há algum exemplo real a ser citado?
Veronesi: Os pontos iniciais que eu comentei anteriormente: a articulação tecnológica entre os associados, que o mercado em si compartilhe suas necessidades e, obviamente, tenha acesso a trabalhos e desenvolvimento de tecnologias que estão sendo feitas fora e, que estão sendo desenvolvidas inclusive no Brasil, é um ponto essencial que eu acho que a APTEL tem que desenvolver junto à indústria.
Ela fez isso durante muitos anos com uma eficácia muito boa. Os trabalhos apresentados na APTEL sempre foram de alto nível. A interação entre os associados sempre foi muito produtiva. Outro ponto, como mencionei, na pergunta anterior é justamente auxiliar toda a cadeia tanto de fornecedores quanto das empresas usuárias de telecomunicações como articulação junto aos órgãos do governo que permitam o uso mais eficaz de toda as tecnologias hoje disponíveis no mundo, para que auxiliem a indústria de uma forma geral.

APTEL: Qual a sua impressão sobre último Seminário Nacional de Telecomunicações da APTEL - SNT 2017?
Veronesi: Do ponto de vista de trabalhos eu acho que foi extremamente interessante. Na oportunidade eu fiz uma avaliação dos trabalhos apresentados e eu acho que foram todos de alto nível. Apresentações valiosas para todos da cadeia entenderem as necessidades e as aplicações da tecnologia na indústria. Acho que esse sempre foi um ponto de excelência nas atividades providas pela APTEL.

APTEL: O que o Senhor (a) acha dos prazos de licenciamento que são atualmente implementados pelos Órgãos Reguladores de telecomunicações?
Veronesi: Eu acho que muito deles têm que ser revistos. A indústria hoje carece de uma regulamentação mais apropriada para o ambiente de telecomunicações. Hoje a gente tem faixas de frequências do espectro, por exemplo, que poderiam ser melhor utilizados.
A gente tem hoje uma demanda e uma necessidade para fazer smart grid, smart meetering. Temos hoje um ambiente de smart city que não consegue ser atendido e, basicamente a gente se depara com dois grandes problemas: falta de regulamentação que permita que as empresas envolvidas hoje tenham a capacidade de explorar as tecnologias vigentes, a custos que sejam apropriados dentro do mercado nacional e, uma condição de você aplicar a tecnologia que estão hoje, sendo largamente utilizadas no mundo e a gente esbarra no conceito do espectro e do custo.
O custo, na verdade, está muito associado à questão dos impostos. A gente tem que diferenciar basicamente o que a gente está tratando do ponto de vista de país, de tecnologia, de aplicação de tecnologia para o bem comum. No mercado de energia, a gente tem hoje, projeto de smart grid, de smart metering que usufruem de telecomunicações como a base para poder desenvolver todas as aplicações disponíveis e, a gente não consegue desenvolver hoje no mercado nacional um projeto de larga escala.
Tem muito do peso da regulamentação, tem muito do peso da aplicação tecnológica que a gente não consegue adequar isso devido à regulamentação vigente, tanto do ponto de vista led quanto do ponto de vista de setores de telecomunicações, e, principalmente a questão dos custos envolvidos que são basicamente providos pelos altos impostos que a gente tem na cadeia.
Então, precisamos de uma articulação um pouco mais ampla para que tenhamos sucesso e possamos desenvolver o que outras nações já estão desenvolvendo. Já deveríamos estar da segunda para a terceira geração de aplicação de smart grid, smart metering. No Brasil a gente não conseguiu desenvolver ainda e a consolidar a primeira geração de aplicação de smart metering, por quê? Justamente pelos dois pontos que eu comentei anteriormente.

APTEL: O Senhor (a) acha importante treinamentos na área de Marco Regulatório de Telecomunicações tanto para empresas e para fornecedores de sistemas, para que eles entendam todos os mecanismos de regulamentação junto aos Órgãos Reguladores?
Veronesi: Eu acho fundamental porque vai permitir que desenvolvimento de novas soluções possam ser aplicadas, que o entendimento de onde determinadas tecnologias podem ser usufruídas, como é que a gente vai poder realizar uma adequação das tecnologias hoje vigentes, dentro do ambiente nacional e principalmente para podermos vislumbrar onde que os benefícios podem ser aplicados, tanto do ponto de vista tecnológico quanto ao ponto de vista de custo.
O Brasil precisa hoje estar inserido no contexto maior do ponto de vista de telecomunicações para que ele ganhe em escala, ganhe em benefícios e tenha os produtos aplicados a custo de mercado. A gente precisa ter uma definição do que realmente a indústria pode se beneficiar com relação ao que se desenvolve hoje, globalmente do ponto de vista de tecnologia para energia, mineração, óleo e gás e onde que essas tecnologias podem ser aplicadas no dia a dia de cada empresa. Essa troca de informações, esses treinamentos, são fundamentais tanto para fornecedores quanto para usuários para que a gente consiga encaixar nesse universo, o custo x benefício e aplicação correta da tecnologia.

APTEL: Há alguma sugestão de melhoria para o mercado de telecomunicações? O que a APTEL poderia fazer para implementar essa melhoria?
Veronesi: Bom, de novo, eu vou falar no mesmo seguimento. O setor hoje carece de algumas definições extremamente importantes para o uso de maior escala de telecomunicações no setor. Primeiramente a questão de uma regulamentação do espectro que proporcione o uso das tecnologias hoje vigentes no mercado. A gente está muito carente de uma dedicação do espectro para alcançar projetos de mais larga escala, que também beneficiem a  indústria, que gerem empregos, que gerem receita e que remunerem os acionistas pelo capital investido.
Eu acho que a APTEL pode ser ou deveria ter um papel, como já teve no passado, um papel extremamente importante nessa conexão. Olhar a necessidade do que as empresas hoje necessitam, os projetos que precisam ser desenvolvidos no Brasil para alavancagem do mercado de uma forma geral e fazer esse entendimento junto ao governo, sendo um porta voz desse mercado junto aos órgãos do governo para que a gente possa ter numa regulamentação, e até leis que possam viabilizar os projetos que vão ser, no final das contas, de benefício público.
Uma energia distribuída de melhor qualidade, um tempo de falha reduzido, uma condição de controle da rede mais eficaz, a geração de empregos dentro do mercado, desenvolvimento de tecnologia nacional, desenvolvimento de engenharia, técnicos e programas que possam auxiliar toda a cadeia na gerência e no desenvolvimento dessas tecnologias implementadas.
Eu acho que a APTEL pode ter um papel fundamental dentro desse contexto, viabilizando a voz do mercado junto aos órgãos de regulamentação do governo.


Entrevista com Marcio Guilherme Veronesi Nicolay 
Entrevista por: Jacqueline Nunes